Publicação 2.5.2012

Mariana Machado
De nada adianta ter um vasto mix de produtos e funcionários bem treinados se a fachada da sua loja não consegue atrair clientes. Seja por excesso de informação ou falta de identidade – problema bem recorrente nas papelarias – o estabelecimento não pode deixar de ser notado pelos consumidores. Artifícios e ferramentas para tornar uma fachada funcional, eficiente e que mostre a personalidade e potencial da loja não faltam no mercado. E o mais importante, garantem especialistas, é possível fazer tudo isso com pouco investimento.
Quem você quer atingir?
Segundo Flávio Radamarker, sócio-diretor da Arquitetar Arquitetura de Varejo, esta é a primeira pergunta que deve ser feita quando se pensa na elaboração da comunicação externa de uma loja. O especialista ressalta que toda loja tem poucos segundos para prender a atenção do cliente, principalmente em centros urbanos mais densos, onde a profusão de letreiros e vitrines é imensa.
“O ideal é determinar qual é o seu público, ou quais são os segmentos que você quer atingir e, a partir daí, apostar em recursos expositores específicos, ou seja, tipos de comunicação que tenham apelo junto àqueles consumidores”, afirma.
Para Cláudio Yoshimura, diretor da Yoshimura Arquitetura de Varejo, muitas vezes o lojista não tem a intenção de ter uma identidade definida e acaba tornando sua papelaria irrelevante na vida do consumidor, o que pode ser um erro fatal. “Após definir qual é o seu público, a papelaria precisa apresentar sua proposta logo na sua fachada. A logomarca, a vitrine e todos os demais elementos da fachada precisam contar a mesma história através dos materiais e personalidade do design. Existem muitas papelarias que alcançaram sucesso e notoriedade não pela exuberância da sua arquitetura, mas pela extrema coerência entre a sua imagem e sua operação, oferecendo forma e conteúdo”.
A vitrine ideal
Considerada um dos elementos fundamentais da comunicação externa de um comércio, a vitrine muitas vezes pode atuar como “vilã”. O lojista deve evitar o excesso de produtos e informações na vitrine, pois caso o cliente tenha todas as informações sobre o mix oferecido e os preços do lado de fora do estabelecimento, os apelos e argumentos para que ele entre na loja tornam-se mínimos.
“Os estímulos e a decisão de compra não podem ser transferidos para o lado de fora da loja”, ressalta Radamarker. O especialista aponta que o papel da vitrine é de passar um recado para o cliente, informando-o que o estabelecimento tem algo de que ele precisa ou despertar nele a intenção de comprar algo que não procura.
Outra dica é procurar agrupar produtos por famílias, categorias, tamanhos e outras características comuns. A iluminação da vitrine é outro ponto decisivo. Vitrines sem vibração ou escuras reduzem a captura da atenção e não estimulam vendas.
A interação dos outros elementos
Em uma fachada, todos os elementos, tais como vitrine, letreiro e outras informações relevantes, devem ser complementares, fortalecendo a identidade da loja.
Segundo Radamarker, o nome da papelaria é fundamental e tem que estar exposto de forma clara e sem interferências, normalmente causadas por marcas de fornecedores. As promoções também devem ser comunicadas em local de boa visibilidade, mas em quantidades equilibradas com o tamanho da vitrine da loja.
Já para as lojas que oferecem serviços, o especialista alerta para que na hora da exposição, eles não sejam confundidos com as promoções. “Os serviços fazem parte do mix da loja, e, o ideal é que não fiquem em placas ou cartazes de forma precária. Eles podem ser comunicados com recursos integrados aos letreiros ou vitrines, desta forma a papelaria pode ser reconhecida como referencial para estes serviços”.
Hoje, além do nome, da logomarca – item que reforça a imagem da loja – e do telefone, os contatos eletrônicos (e-mail e site) também devem constar na fachada, principalmente quando o público-alvo é corporativo.
“Também é importante informar os dados de contatos quando a fachada está voltada para uma via de alto tráfego onde há uma grande quantidade de possíveis consumidores que não têm o hábito de estacionar ou não há vagas próximas”, explica Cláudio Yoshimura.
Manutenção
O lojista deve programar uma manutenção periódica da sua fachada, assim como faz com equipamentos como o ar condicionado, o que inclui revisões e correções de materiais de acabamento quebrados ou trincados, pintura queimada ou sem vida, o estado da drenagem da marquise, lâmpadas queimadas, de modo que o visual externo da loja esteja sempre revitalizado.
“Nenhum ambiente será agradável e atraente se não parecer ou estiver limpo. A manutenção é fundamental para a fachada, que é a primeira impressão que o cliente tem da loja”, afirma Cláudio Yoshimura.
Soluções em conta
Uma prática comum para financiar reformas em fachadas, de acordo com Flávio Radamarker, são as parcerias com fornecedores e fabricantes. “Além de negociar mobiliários e displays internos para a loja, a exibição de marcas e logos destes parceiros na fachada – com custeamento parcial ou total das despesas da reforma – é uma alternativa bem viável, mas que deve ser feita com atenção para que a papelaria não tenha a visualização do seu nome prejudicada”.
Para facilitar a vida dos lojistas, Cláudio Yoshimura elaborou uma relação das opções mais em conta do mercado para fachadas. Os preços dos materiais já incluem mão de obra:
-pintura acrílica sobre parede- tem um tempo de uso limitado e suja com facilidade ( R$12,00/m² )
-textura sobre parede- maior durabilidade que a pintura, mas de difícil retoque para manutenção (R$20,00 a R$40,00/m² )
-cerâmica- algumas suportam pichação, não desbota, porém a resistência é menor que o porcelanato e granito (de R$25,00 a R$80,00)
-porcelanato natural sem esmalte- material cada vez mais em uso, durável, fácil de lavar, suporta pichação (R$50,00 a R$120,00/m²)
-granito- muito resistente a impactos, fácil de lavar, porém costuma ter um custo alto (R$180,00 a R$1200,00/m²)
-mármore- menor resistência a abrasão e impactos que todos os demais materiais rígidos (R$150,00 a R$1800,00/m²)
-lona estruturada esticada plotada- custo baixo para comunicação visual, porém desbota e é muito delicada, com durabilidade curta ( R$120,00/m² )
-vidro fixo para vitrine 10mm temperado- usados em vitrines, sendo que os de dimensão maior que 3,20m são mais caros (R$220,00 a R$480,00)
-pele de vidro estruturada – grande durabilidade, pouca manutenção, facilidade de limpeza, porém relativa resistência e custo alto (R$290,00 a 980,00/m²)
Para ver a matéria publicada no Portal Lyderis em 29/03/2012, clique aqui.
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